Graças ao calor que Petrópolis foi fundada, entrando assim para o mapa turístico. Dom Pedro II e toda a realeza irritados com as altas temperaturas do Rio de Janeiro, buscavam o clima ameno da serra para passar o verão. Muitos palácios foram erguidos e até hoje a cidade preserva as construções, muitas abertas à visitação.
O turismo na cidade cresceu graças a essa atmosfera imperial, aliada a deslumbrantes paisagens montanhosas, trazendo pessoas em busca de requinte e sossego, com muitas pousadas charmosas e gastronomia de primeira.
Petrópolis é uma cidade elegante onde o passado e o presente seguem entrelaçados com suas cores, sabores, surpresas e satisfação. Foi em busca de tudo isso que cheguei a cidade numa sexta à noite.
Logo na entrada, um pouquinho antes do portal, havia um barzinho/restaurante/padaria bem movimentado chamado Pavelka e como pensei que a cidade fosse menor do que realmente é, resolvi ficar por ali mesmo para fazer um lanche, lá também vende petiscos, vinhos, biscoitinhos… estava um frio danado e depois do lanche, fui direto dormir.
Você sabia que Petrópolis quer dizer cidade do Pedro? Ela recebeu este nome em homenagem a Dom Pedro II que foi o último imperador brasileiro.
Na manhã seguinte, tomei café na Casa do Alemão, lugar gostoso, tem biscoitinhos amanteigados da região, doces… ao lado tem umas lojas, mas não estavam todas abertas, não achei nenhuma de souvenires.
A próxima parada foi no Portal da Cidade, onde fica o Centro de Informações Turísticas, peguei uns panfletos com sugestões do que fazer e fui em direção ao Centro Histórico. A cidade toda parece ser atração turística porque até o que não estava nos panfletos como atração, tinha placa. Com o tempo aprendi a não parar em todas elas. E o meu tour, que só podia durar meio dia, foi assim:
Casa Afonso Franco, era residência do médico que produziu a primeira vacina contra a varíola, hoje o local abriga um hotel. Segui a Avenida Tiradentes para chegar à Catedral São Pedro de Alcântara, no seu interior destaca-se o mausoléu onde estão os restos mortais de Dom Pedro II, D. Teresa Cristina, Princesa Isabel e Conde D’Eu. Uma curiosidade sobre o local: As portas principais pesam 2400kg cada.
A visitação à Casa da Princesa Isabel é somente externa, a casa é rosa-salmon, tem um quintal enorme, muita árvore na frente, não dá uma boa visibilidade do todo. Muitas camélias brancas, flor que simboliza o movimento abolicionista. Na escadaria da varanda foi tirada a que é considerada a última foto que reúne a família imperial em terras brasileiras, dias antes da Proclamação da República.
Passei pelo Palácio Sergio Fadel, pela Casa da Costureira, Casa do Duque Estrada Meyer, renomado flautista, Conjunto Arquitetônico da Avenida Tiradentes, Casa de Eduardo Guinle, a visita a estes espaços é permitida somente externa.
Visitei o Palácio Rio Negro – Palácio dos Presidentes, logo de cara fiquei apaixonada com a escada porque adoro esses quadros com molduras imponentes, ainda mais com fotos dos presidentes, na subida da escada. Acho chiquérrimo! Getúlio Vargas fez deste Palácio a sua casa e promoveu uma grande reforma no início dos anos 40. A tradição de casa de veraneio da presidência foi retomada quando o presidente Fernando Henrique Cardoso se hospedou no Palácio. Ao todo 16 presidentes se hospedaram no Rio Negro.
Atrás do Palácio Rio Negro está o Museu da Força Expedicionária Brasileira – FEB – possui acervo com 673 peças de petropolitanos que lutaram na Itália durante a 2ª Guerra Mundial, entre fotos, documentos e roupas.
A Praça da Liberdade é a principal área de lazer da cidade, as pessoas vão pra lá se exercitar, tem um coreto, chafariz, é bem espaçosa… Recebeu este nome porque ali, em 1888, os ex-escravos se reuniam para comprar a liberdade dos companheiros ainda mantidos nas senzalas. Logo em frente a esta praça fica o Relógio de Flores, onde muitos param e ficam observando como realmente funciona.
Museu de Cera de Petrópolis apresenta personagens históricos em tamanho real, da ciência, da política, dos quadrinhos e das artes, como: Dom Pedro II, Santos Dumont, Einstein, Batman.
Outro local que visitei foi o Museu Casa de Santos Dumont. Este atrativo foi casa de verão do pai da aviação, conhecida como “A encantada”, a casa possui livros, mobiliário, cartas e outros objetos que pertenceram ao inventor. A escada você só tem acesso se colocar o pé direito. Curioso né? Ao lado tem uma estátua dele e mais à frente tem a Praça 14Bis, onde está uma réplica do invento mais famoso de Santos Dumont, o 14Bis, bem bacana! Essa praça é estacionamento para ônibus e vans de turismo.
Museu Imperial é o principal ponto turístico de Petrópolis. Lá confiscaram minha bolsa, a máquina fotográfica e deram-me um chinelo de feltro. Achei muito bacana ver a coroa de Dom Pedro II e a caneta em ouro, prata, esmeralda e brilhantes, ofertada à Princesa Isabel, por subscrição pública, para marcar a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Traz a seguinte inscrição em seu estojo: “À dona Isabel, a redentora, o povo brasileiro”, me deu até arrepio quando vi a caneta e passei a querer ter conhecido a Princesa Isabel. Fiquei um tempão em frente a caneta e a coroa imaginando como tudo aconteceu. Na saída tem uma lojinha com souvenires, incluindo miniatura da coroa e da caneta … Na frente do Museu tem parque arborizado, um café logo na entrada que dá pra esperar o Museu abrir.
Claro que não deu tempo de fazer tudo, entre os atrativos fiquei sem conhecer a Cervejaria Bohemia, a mais antiga fábrica de cerveja do Brasil, fica aberta para visitação num tour interativo que dura 1h30 e tem direito a duas degustações: 01 cerveja e 01 chopp. Possui bar, restaurante e um empório.
É uma cidade que te leva ao passado, te faz remontar mentalmente a história, te faz querer ter vivido na época imperial, ter conhecido a Princesa Isabel ou poder ter encontrado com Dom Pedro pelas ruas da cidade! Vale a pena o banho de cultura, visite Petrópolis!
A Serra da Estrela, onde se encontra Petrópolis, era praticamente desconhecida pelos portugueses nos primeiros 200 anos de colonização, salvo por alguma expedição exploratória para tomar posse de sesmarias. Para chegar ao local onde surgiu a cidade, era necessário vencer o enorme paredão montanhoso de mais de 1000 metros de altura, além de enfrentar os índios Coroados que habitavam a região. Somente quando os bandeirantes paulistas descobriram ouro em Minas Gerais, foi aberto o Caminho Novo (início do século XVIII), para facilitar a viagem até às vilas mineradoras.
O caminho era novo porque havia o outro caminho aberto pelos próprios bandeirantes, usado desde meados do século XVII, muito longo, de difícil trânsito, formado por trilhas e picadas até às minas de ouro. Quando Petrópolis foi fundada, 130 anos depois, havia um grande número de fazendas e alguma atividade industrial entre a Baía da Guanabara e Vila Rica (Minas Gerais), conforme descreve o Barão de Langsdorff, no primeiro volume de seus diários, escritos durante expedição realizada entre 1822 e 1829, ao interior do Brasil.
A fundação da cidade de Petrópolis está intimamente ligada ao imperador D. Pedro I e ao padre Correia. Desde que o imperador pernoitou na fazenda do padre, de passagem pelo Caminho do Ouro que o levaria a Minas Gerais, encantou-se com a exuberância da natureza e amenidade do clima, e manifestou o desejo de adquirir a propriedade para seu uso e, em especial, para o tratamento de sua filha, a princesa Dona Paula Mariana, de cinco anos, sempre muito doente e que se recuperou bem quando lá esteve.
D. Pedro I adquiriu algumas propriedades na região, onde pretendia construir um Palácio de Verão, no alto da serra. Entretanto, o projeto não foi adiante devido à sua abdicação ao trono, o retorno a Portugal, e a morte de seu pai, em 1834. D. Pedro II herdou essas terras, que passaram por vários arrendamentos até que Paulo Barbosa da Silva, mordomo da Casa Imperial, retomou os planos de Pedro I.
O mordomo havia mandado o engenheiro alemão Júlio Frederico Köeler construir a Estrada Normal da Serra da Estrela para tornar possível o acesso de carruagens à Fazenda do Córrego Seco, uma vez que o Caminho Novo era apenas para tropas de mulas. Paulo Barbosa e Köeler elaboraram um plano para fundar o que ele denominou Povoação-Palácio de Petrópolis, com a doação de terras da Fazenda Imperial aos colonos livres que iriam não só levantar a nova povoação, mas, também, seriam produtores agrícolas.
Assim nasceu Petrópolis, planejada para substituir o trabalho escravo pelo trabalho livre. Em março de 1843, o imperador (então com 18 anos) assinou o Decreto Imperial nº 155 que arrendava as terras da Fazenda do Córrego Seco ao major Köeler para a fundação da Povoação-Palácio de Petrópolis, incluindo as seguintes exigências: criação do projeto e construção do Palácio Imperial; urbanização de uma Vila Imperial com quarteirões imperiais; edificação de uma igreja em louvor a São Pedro de Alcântara; construção de um cemitério; cobrança de foros imperiais dos colonos moradores; e expulsão de terceiros das terras ocupadas ilegalmente.
Na primeira metade dos anos 1800, começaram a chegar os imigrantes alemães e, depois destes, vieram imigrantes de outras nacionalidades, que incrementaram diversas atividades econômicas, principalmente as fábricas caseiras de alimentos e conservas. O povoado surgiu em 1845, subordinado a São José do Rio Preto e um ano depois, foi criada a Paróquia de São Pedro de Alcântara, vinculada à Vila da Estrela. Vila criada com a denominação de São Pedro de Alcântara de Petrópolis, em 1846, e elevada à condição de cidade com o nome de Petrópolis, em 1857. Entre 1894 e 1902, tornou-se capital do Estado do Rio de Janeiro.
Os imigrantes alemães tiveram participação fundamental na construção da primeira estrada de ferro brasileira, inaugurada pelo Barão de Mauá, em 1854, ligando o Porto de Mauá à Raiz da Serra, que facilitou o acesso a Petrópolis. Quanto às estradas de rodagem, a Estrada União Indústria – inaugurada em 1861, ligando Petrópolis a Juiz de Fora (MG) – também foi a primeira construída no Brasil. Em 1928, novamente a cidade destacou-se como pioneira ao receber a primeira rodovia brasileira asfaltada – a Washington Luiz -, ligando-a ao Rio de Janeiro.
Fonte: www.iphan.gov.br